O PROBLEMA DE PLATÃO NA FILOSOFIA DA LINGUAGEM CONTEMPORÂNEA

ALINE WERNECK MEDEIROS COUTINHO

Resumo


O presente trabalho versa sobre o Problema de Platão, ou a hipótese da pobreza de estímulo, na filosofia contemporânea. Noam Chomsky inaugurou a chamada revolução cognitiva nos anos 50 após publicar sua revisão ao livro Comportamento Verbal, de Skinner. A crítica de Chomsky ao behaviorismo tem seu fundamento na hipótese da pobreza de estímulos, entendendo que a criança dispõe de informação limitada e incompleta sobre a língua e mesmo assim, em intervalo tão curto de tempo, adquire a sua gramática. Chomsky retoma Platão no que tange às ideias inatas e propõe a teoria da Gramática Universal, que seria um conjunto de conhecimentos universais e necessariamente válidos, que estaria embutido na herança genética do ser humano, a saber especificamente na mente, que possibilitaria a aquisição da linguagem. Durante muito tempo o inatismo de Chomsky figurou com destaque nas pesquisas sobre a aquisição da linguagem, e a Gramática Universal oferece soluções robustas para a aquisição da sintaxe. Contudo, no que diz respeito à aquisição de um sistema fonológico, a Gramática Universal não explica a aquisição de
segmentos e nem como a representação mental destes acontece na criança. Pesquisas recentes como a do linguista Elan Dresher e da fonoaudióloga Carmen Lúcia Barreto nos oferecem alternativas para pensar a aquisição de um sistema fonológico, propondo que, ao contrário do proposto por Chomsky, não há uma pobreza de estímulos do que diz respeito
às imagens acústicas, e por conseguinte, o sistema fonológico é aprendido, e não adquirido via estruturas inatas da mente.


Palavras-chave: Problema de Platão, Hipótese da pobreza de estímulo, Chomsky, Aquisição
de sistema fonológico


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