OS REGIMES DE AUTORALIDADE NA ENUNCIAÇÃO FÍLMICO-DISCURSIVA: O GÊNERO DE DISCURSO DOCUMENTÁRIO

Anderson FERREIRA

Resumo


O presente artigo estuda os regimes de autoralidade na enunciação fílmico-discursiva, materializada pelo gênero de discurso documentário. Objetiva-se verificar de que modo os regimes são mobilizados pelos enunciadores legítimos da cena genérica. As reflexões de Barthes (2004) e, nomeadamente, as de Foucault (1992, 2012a, 2012b) sobre a noção de autor são tomadas, neste estudo, num diálogo com os pressupostos da Análise do Discurso acerca dos regimes de autoralidade, em particular, os estudos de Maingueneau (2006, 2010, 2016). Fundamento teórico-metodológico do presente estudo, a Análise do Discurso de tradição francesa fornece-nos, ainda, a base para novas formas de apreensão da diversidade genérica. Dentre elas, destacamos o modelo trimodal, postulado por Maingueneau (2015), com um modo de apreensão do gênero de discurso documentário. Nas últimas décadas, particularmente no Brasil, os estudos discursivos não cessaram de investigar as condições de atribuição de autoria em textos do universo midiático, de autoria coletiva, ou mesmo, sem um autor nomeado. Em nosso caso, porém, tratou-se de perspectivar como um nome de autor acomoda regimes de autoralidade distintos no percurso histórico do sujeito-escritor. Os resultados da pesquisa revelam que na enunciação fílmico-discursiva, materializada pelo documentário, o autor-maior é tomado por meio de clivagens – vida social, vida literária – construindo, pois, seu percurso na trama história de modo irredutível a um sujeito ético-moral e a uma instância enunciativo-discursiva de identidade autoral. Além disso, os enunciadores legítimos do gênero em foco – aqueles que citam o autor – estão investidos de papéis sociais estratégicos e lugares sociais, igualmente, clivados e diversos. 

 

Palavras-chave: Regimes de autoralidade. Autor. Gênero de discurso documentário. Autor-maior.

 

ABSTRACT

 

The present article studies the regimes of authorship in the film-discursive enunciation, materialized by the genre of documentary discourse. The aim is to verify how regimes are mobilized by the legitimate enunciators of the generic scene. Barthes's reflections (2004) and, in particular, Foucault's (1992, 2012a, 2012b) on the notion of author are taken in this study in a dialogue with the assumptions of Discourse Analysis on authorship regimes, in particular, the studies of Maingueneau (2006, 2010, 2016). Theoretical-methodological basis of the present study, Discourse Analysis of French tradition also provides us with the basis for new forms of apprehension of generic diversity. Among them, we highlight the trimodal model, postulated by Maingueneau (2015), with a way of apprehending the genre of documentary discourse. In the last decades, particularly in Brazil, the discursive studies did not cease to investigate the conditions of attribution of authorship in texts of the media universe, of collective authorship, or even, without a named author. In our case, however, it was a question of how an author's name accommodates distinct authorship regimes in the historical course of the subject-writer. The results of the research reveal that in the film-discursive enunciation, materialized by the documentary, the major-author is taken by means of cleavages - social life, literary life - thus constructing his route in the story plot in an irreducible way to an ethical- moral and an enunciative-discursive instance of authorial identity. In addition, the legitimate enunciators of the genre in focus - those who cite the author - are invested with strategic social roles and social places, equally, cleaved and diverse.

 

Keywords: Authorship regimes. Author. Genre of  Docmentary Discourse. Author-major.


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